sexta-feira, 13 de novembro de 2015

“...O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.”


XXXIII Dom TC (Ano B):  –  Dn 12,1-3; Sl 16(15); Hb 10,11-14.18; Mc 13,24-32.


O evangelho reflete um contexto assinalado por conflitos, sobretudo a guerra judaica (66-73 d.C), marcada pela destruição do templo e da cidade de Jerusalém. Renasce a tradição profética e apocalíptica, com a esperança de um tempo novo de salvação. A manifestação gloriosa de Jesus é descrita com a fé pascal: após a grande tribulação, verão o Filho do Homem vindo entre nuvens com grande poder e glória. Jesus é a luz que vence as trevas da opressão e da morte através da ressurreição. Sua presença de paz estabelecerá definitivamente o Reino de Deus, já revelado com sua vida. A espera da revelação plena do Reino deve ser ativa, como mostra a imagem da figueira (cf. vv. 28-29). Os ramos verdes e as folhas que brotam são sinais da ação de Deus nos acontecimentos da história. As palavras de Jesus não passarão, pois seu valor é eterno. Foram guardadas pelos primeiros cristãos e permanecem para revigorar o compromisso a serviço do Reino.

A 1ª leitura fala da esperança de salvação. A promessa da ressurreição impele a viver a justiça em meio às perseguições, por causa da fidelidade à aliança. Jesus, vencendo a morte pela ressurreição, realiza plenamente a esperança da vida eterna. O/a salmista expressa a confiança no Deus da vida que não abandona o justo na morte. A experiência da comunhão faz vislumbrar a felicidade no Reino celeste. Cristo com uma única oferenda levou à perfeição definitiva os que ele santifica (2ª leitura). A fé proporciona participar da obra redentora de Cristo e viver a vida nova.

O Reino de Deus, anunciado por Jesus, deve continuar sendo construído pela prática da solidariedade. É necessário estarmos atentos para perceber os sinais de salvação. Deixemo-nos conduzir pelas palavras de Cristo, para permanecermos no caminho de fidelidade a seu projeto.

(Extraído da Revista de Liturgia)

Oração 

Deus da paz,
enche nossa vida com a alegria de te servir
com um coração indiviso
e faze-nos experimentar profundamente
a felicidade de trabalhar por ti, criador de tudo, e por teu reino. 
Por Cristo, nosso Senhor. 

Amém



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

“...Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver.”




Jesus está no templo de Jerusalém, centro da vida e religião de Israel, lugar onde as pessoas costumavam fazer suas oferendas e sacrifícios. A palavra de Jesus ilumina a tomar cuidado com os que devoram as casas das viúvas, enquanto ostentam longas orações (cf. v.40). As viúvas, além de marginalizadas, eram exploradas com frequência (cf. Is 1,23; 10,2). Por isso enquanto observa como a multidão depositava as moedas no cofre, Jesus enaltece a ação de uma viúva pobre que ofereceu duas moedinhas, isto é, um quadrante (valor mínimo em circulação). Essa viúva generosa e confiante na graça divina é apresentada por Jesus como modelo no caminho do discipulado. Sua atitude é elogiada porque ela ofereceu tudo o que tinha para viver (cf. v.44), não apenas o excedente como os outros. A ação da viúva ao colocar toda a vida nas mãos do Pai, é comparada com a oferta total de Cristo, por amor.

A viúva anônima da entrada do templo lembra a de Sarepta, que ofereceu hospitalidade e partilhou o pouco alimento que possuía (1ª leitura). A esperança na palavra de Deus suscita gestos solidários que asseguram a sobrevivência durante a seca, no tempo do profeta Elias (séc. IX a.C.). O salmo convida a confiar no Deus da vida que ampara a viúva e o órfão e confunde os caminhos dos opressores. A 2ª leitura ressalta que Cristo oferece sua vida pela redenção da humanidade, transcendendo os sacrifícios que anualmente eram repetidos no dia do Grande Perdão (Yom Kippur, cf. Lv 16).

Cristo, mediante a doação plena da vida, mostrou o caminho do amor solidário. Que a força profética de sua palavra sustente o nosso compromisso de sermos generosos como a viúva do templo e a de Sarepta. A partilha da vida e dos bens expressa fidelidade ao projeto de Deus.

(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
01. O que essa pobre viúva nos ensina com o seu gesto?
02. Você vive sua vida como doação a Deus e ao próximo? De que forma?
03. Quais pessoas são exemplo de doação de si mesmas?

Oração 

Deus de bondade e de ternura,
afasta de nós toda acomodação e instalação,
para que possamos, de coração disponível,
nos dedicar ao serviço do teu reino. 
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.


domingo, 1 de novembro de 2015

Finados

"Se com Cristo nós morremos com Cristo viveremos" (Rm 6, 8)


(...) Nos Finados, lembramos e agradecemos a Deus a vida de nossos ascendentes, aqueles que nos antecederam (pais, avós, parentes e amigos). Paramos um minuto. Acendemos uma vela. Proferimos uma oração. Vamos à missa nos cemitérios ou comunidades. Agradecemos a Deus essa cadeia da vida que nos tornou possíveis e viventes. Não somos filhos do nada, nem começamos em nós mesmos. Os filhos do nada são sementes de caos. Somos sementes do Cosmos, do amor de Deus, transmitido por avós, pais e antepassados. Essa cadeia de gerações nos transmitiu vida e fé, como expressão da tradição católica, a transmissão pela Igreja das verdades da fé. 


A luz, que nos iluminou através de pais, avós, parentes ou amigos, não se apagou com suas mortes. Acendemos velas para lembrar que essa luz segue nos iluminando, em nossos corações. Veneramos seus exemplos e imitamos sua fé (Hb 13,7). 


Enfeitamos as sepulturas com flores, símbolo da ressurreição. Nossos mortos são plantados como sementes, regadas com nossas lágrimas, e florescem ressuscitados no jardim do Senhor.

Cada um de nós recebe de Deus dons especiais, como sementes do Reino. Durante a vida devemos cultivar esses dons, deixá-los florescer e perfumar os irmãos e irmãs. A Igreja católica é o jardim perfumado do Senhor. Ela não condena, mas ama e acolhe. Quem busca caminhar com Jesus na vida, estará com Ele na morte e eternidade. Nossa morte não é um fim. É nossa páscoa, nossa passagem para a casa do Pai.

Nada pode nos separar do amor de Cristo. Os mortos e os vivos participam da comunhão dos santos. Quem morre sai deste mundo, destas dimensões e entra na eternidade. Na eternidade não existe tempo, nem espaço. Deus vê sempre como presente nossa oração, passada ou futura. Por isso ainda oramos pela conversão do outro malfeitor ao lado de Jesus e por nossos entes queridos falecidos que morreram na esperança da ressurreição.

Nos Finados nós não rezamos aos mortos mas pelos mortos. Os mortos não saíram da economia eclesial e participam da comunhão dos santos. 

Na morte a vida não é tirada mas transformada. Nossa vida é eterna.

(Prof. Dr. Evaristo Eduardo de Miranda, 
escritor, doutor em ecologia, 
ministro das Exéquias da Arquidiocese de Campinas)

Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno
e brilhe para eles a vossa luz!
Amém.