segunda-feira, 4 de abril de 2016

A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio.

II Domingo do Tempo Pascal (Ano C): At 5,12-16; Sl 117(118); Ap 1,9-11a.12-13.17-19; Jo 20,19-31


O texto inicia-se situando a cena no tempo. É a tarde do domingo da Páscoa. Para os judeus, já se havia iniciado novo dia. Para João, contudo, é ainda o dia da ressurreição, a nova era inaugurada pela vitória de Jesus sobre a morte. A referência à tarde do domingo reflete a práxis cristã de celebrar a eucaristia no dia do Senhor, ao fim da tarde. Estamos, portanto, num contexto eucarístico. As portas fechadas denotam um aspecto negativo (o medo dos discípulos) e um aspecto positivo (o novo estado de Jesus ressuscitado, para o qual não há barreiras).

Jesus apresenta-se no meio da comunidade (mais uma referência ao contexto eucarístico) e saúda os discípulos com a saudação da plenitude dos bens messiânicos: “A paz (shalom) esteja com vocês”. É a mesma saudação da despedida (cf. 14,27). Por sua morte e ressurreição, ele se tornou aquele que venceu o “mundo” e a morte. É a saudação do Cordeiro vencedor que ainda traz em si os sinais de vitória, as marcas nas mãos e no lado (v. 20a). Dele a comunidade se alimentará. A reação da comunidade é a alegria (cf. 16,20) que ninguém, de agora em diante, poderá suprimir (cf. 16,22).

Assim fortalecida, a comunidade está pronta para a missão que o próprio Jesus recebeu: “Como o Pai me enviou, assim também eu envio vocês” (v. 21b). Quem garantirá a missão da comunidade será o Espírito Santo. Para João, o Pentecostes se  realiza aqui, na tarde do dia da ressurreição. (...) Jesus sopra sobre os discípulos e lhes comunica sua própria missão. O sopro recorda Gn 2,7, o sopro vital de Deus que comunica a vida. Recordando o Gênesis, João quer dizer que aqui, no dia da ressurreição, nasce a comunidade dos seguidores de Jesus, aos quais ele confia sua própria missão.

Muito provavelmente o episódio de Tomé foi lembrado pelo autor do 4º Evangelho para eliminar mal-entendidos na comunidade, segundo os quais as testemunhas oculares estariam num plano superior em relação aos que não viram pessoalmente o Senhor ressuscitado. Esse era um conflito presente nas comunidades do fim do 1º século. (...) A cena conclui com a única bem-aventurança explícita no Evangelho de João (cf. 13,17). Ela privilegia os que vão crer sem ter visto. O evangelho é desafio e abertura para o futuro: aceitá-lo ou não, aí se joga a sorte do ser humano e do ser cristão.


(Extraído da revista Vida Pastoral)
Oração

Ó Deus da Vida, dai-nos a graça de fazer a experiência pascal
e, assim, ver o vosso Filho ressuscitado presente no meio de nós e professar nEle nossa fé.
Isto vos pedimos, pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor. 
Amém.

domingo, 27 de março de 2016

Domingo de Páscoa

Então o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também. 
Ele viu e acreditou. (Jo 20, 8)

A todos vocês, 
queridos leitores e leitoras deste blog:

Feliz e Santa Páscoa!
O Senhor Ressuscitou verdadeiramente! Aleluia! Aleluia!

Que Jesus Cristo, o Crucificado-Ressuscitado, 
abençoe e fortaleça a vida e o ministério de cada um/a de vocês. 
Que a Palavra de Deus continue produzindo frutos de ressurreição e vida 
em nossas comunidades e no mundo.

Abraço fraterno,
Pe. Jonas



Ele viu, e acreditou!

Domingo da Páscoa: At 10,34a.37-43; Sl 117; Cl 3,1-4; Jo 20,1-9

O primeiro dia da semana indica um novo tempo. Tem ligação com o início da criação do mundo. A morte de Jesus significou a passagem das trevas para a luz que nunca mais se apagará. A fé na ressurreição, porém, não se processa da mesma maneira em todas as pessoas. Algumas precisam de um tempo maior para assimilar essa verdade que tudo transforma. Maria Madalena recebe especial distinção: ainda no escuro, dirige-se ousadamente ao túmulo de Jesus. Apesar de ver a pedra removida, não consegue ainda perceber a luz do sol (Jesus que ressuscitou) anunciando uma nova aurora. Perplexa, corre ao encontro de Simão Pedro e do discípulo que Jesus amava para dizer-lhes de sua preocupação com o que havia constatado. O seu anúncio provoca a movimentação dos dois discípulos na busca do verdadeiro sentido dos últimos acontecimentos.

Maria Madalena, nesse relato de João, é representativa da comunidade que não aceita permanecer acomodada. Busca ansiosamente a explicação do que realmente aconteceu naquele “primeiro dia da semana”. É atitude muito positiva, pois “quem busca encontra e quem procura acha”. Por isso, ela é especialmente valorizada. Jesus deixa-se encontrar. Impulsionada pelo amor, caminha na direção do Amado. O maravilhoso encontro de Maria Madalena com Jesus ressuscitado se dá logo a seguir (20,11-18).

A comunidade cristã primitiva reconhecia-se no jeito de ser de Maria Madalena, de Pedro e do discípulo amado. Havia pessoas que ainda permaneciam nas “trevas” da morte de Jesus; sentiam-se desamparadas e desorientadas. Havia as que não conseguiam acolher a verdade da ressurreição de Jesus. Diziam que seu corpo fora retirado por alguém e que se inventou a notícia de que ele havia ressuscitado. É o que se percebe na expressão de Maria Madalena: “Retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Essas pessoas ainda estão no emaranhado de dúvidas, porém, pouco a pouco, receberão a graça de reconhecer a ressurreição de Jesus como um acontecimento verdadeiro e não como uma lenda

(Extraído da Revista de Liturgia)

Para refletir e partilhar:
01. Para onde devemos correr para fazer hoje a experiência do Cristo Ressuscitado?
02. Quais são os sinais da ressurreição de Jesus em nosso meio?
03. O que significa a fé na ressurreição do Senhor para você? Como ela ajuda você a viver melhor hoje?


Oração

Ó Deus, nosso Pai, hoje abriste para nós o caminho da vida,
com a vitória do teu filho Jesus sobre a morte.
Por teu Espírito, faze de nós, que celebramos este dia de festa e alegria,
a graça de sermos homens e mulheres novos, ressuscitados.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.








sábado, 26 de março de 2016

Sábado Santo - Páscoa da Ressurreição

De repente, Jesus foi ao encontro das mulheres, e disse: 'Alegrai-vos!' As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés.
(Mt 28, 9)



Sentido da celebração:

Nesta noite santa em que Jesus passou da morte à vida, somos convidados para uma vigília de oração e de festa em honra do Senhor. Esta vigília [...] é um ato profético. É como um manifesto ao mundo. Apesar de ainda estarmos na noite, já celebramos o amanhecer, reconhecendo a luz de Deus em todas as nossas noites, e esperando a manifestação do seu clarão nas noites da humanidade... Convidemos todo o universo e todas as criaturas de Deus - a lua... O vento... As estrelas... A escuridão... As plantas - para celebrarem conosco esta nova páscoa do Senhor.

Bênção do fogo:

Ó Deus do universo, energia original,
fonte de todo calor e de toda luz,
adorado com os mais diversos nomes,
bendito sejas por este fogo novo!
Que esta festa da páscoa
acenda em nossa humanidade a luz de Jesus Cristo.
Que o seu clarão resplandeça nas noites do teu povo
e aponte um novo horizonte de libertação
para toda a humanidade.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.


Eis a luz de Cristo!
T: Demos graças a Deus!

Proclamação da páscoa:

Exulte de alegria dos anjos a multidão!
Exultemos também nós por tão grande salvação!
Do grande rei a vitória cantemos o resplendor;
das trevas surgiu a glória, da morte, o libertador!


Convite à liturgia da Palavra:

Irmãos e irmãs,
[E]scutemos, no recolhimento desta noite, a Palavra de Deus.
Façamos a memória dos gestos libertadores do nosso Deus,
meditemos em suas maravilhas
e, pela oração, peçamos que leve à plenitude
a vida nova que nos oferece nesta páscoa.

Oração sobre a água:

Nós que participamos da páscoa de Jesus, vibramos com as maravilhas do Deus vivo na história e em nossas vidas, e agora invocamos a bênção de Deus sobre esta água.

Silêncio.

Olha, agora, ó Pai, esta tua Igreja
aqui reunida, nesta noite santa.
Faze brotar para ela as águas do batismo!
Mergulhando o círio pascal na água:
Nós te pedimos, ó Pai, que, por teu Filho,
desça sobre esta água
a força e a ternura do Espírito Santo.
E que todas as pessoas que forem banhadas nesta água,
sejam sepultadas na morte com Cristo
e ressuscitem com Jesus para uma vida nova!
Amém.

Renovação das promessas do batismo:

Renúncia

Irmãos e irmãs, esta água nos lembra o nosso batismo. Quem é batizado morre e ressuscita com Cristo. Morre para o pecado e vive uma vida nova, seguindo o evangelho de Jesus. Porém aquilo que celebramos no batismo deve ser conquistado por nós dia a dia. Por isso, mais uma vez, renovemos a nossa profissão de fé.

Silêncio.

Para viver a liberdade dos filhos e filhas de Deus, vocês prometem lutar contra a escravidão do pecado e toda forma de opressão?
Prometo.

Para viver como irmãos e construir a unidade, vocês prometem lutar contra todo egoísmo, injustiça e exploração?
Prometo.

Para seguir a Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, vocês prometem lutar contra as ilusões deste mundo e as tentações do maligno?
Prometo.

Ato de fé
Vocês crêem em Deus, que criou todas as coisas no céu e na terra?
Creio.

C: Vocês crêem em Jesus Cristo, seu filho e nosso Senhor, que nasceu da virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado e ressuscitou no terceiro dia e subiu aos céus?
Creio.

C: Vocês crêem no Espírito Santo, na santa Igreja universal, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna?
Creio.

Ó Deus, tu nos fizeste renascer da água e do Espírito
e nos concedeste o perdão de todo o pecado, guarde-nos em teu amor
e ajuda-nos a viver como irmãos.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.


Rito de comunhão:

Assim disse Jesus: “Eu sou o pão da vida.
Quem vem a mim nunca mais terá fome
E o que crê em mim nunca mais terá sede.

Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo!
Senhor, eu não sou digno(a) de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo(a)


Oração final:

Ó Deus, alimentados pela páscoa do Senhor,
voltamos com o coração renovado de esperança.
Dá-nos a força do teu Espírito,
para sermos testemunhas da vida
que vence a dor e a morte.
Por Cristo Jesus, nosso Senhor.
Amém.


(Vigília Pascal, trechos extraídos do Dia do Senhor)