quinta-feira, 16 de outubro de 2014

“Dai a Deus o que é de Deus.”


29º Domingo T. C. (Ano A): Isaías 45,1.4-6; Salmo 95 (96); 1Ts 1, 1-5b; Mateus 22, 15-21

No evangelho de Mateus, esta passagem marca o início de uma série de confrontos de Jesus com seus adversários. Dois grupos, aparentemente opostos nos seus interesses, se fazem representar: um grupo marcadamente religioso, os fariseus, e outro grupo conhecido por sua explícita simpatia ao dominador romano.

Mais do que uma simples evasiva a uma cilada, a resposta de Jesus aponta para a soberania do reino de Deus, independente dos jogos políticos e das artimanhas do poder. A resposta de Jesus não justifica, como muitos podem deduzir, a separação entre um mundo profano e um mundo sagrado, o de Deus e do César. Nem, como muitos no seu tempo esperavam, um governo teocrático, que subjuga tudo à tirania dos chefes religiosos. Jesus parece querer um outro ponto diferente, tanto da separação total entre Deus e César, como da fusão indiscriminada entre os dois mundos.

O que o Senhor afirma com clareza, tanto no seu jeito de responder frente ao ardil que lhe armaram, quanto no conteúdo material de sua resposta, é a profunda liberdade do discípulo do reino que, em todo o momento, precisa construir seu caminho de fidelidade a Deus. Suas opções não são determinadas por César – e não importa que sejam contra ou a favor dele -, mas total e plenamente subordinadas a Deus.

Este difícil e árduo caminho da consciência cristã, que precisa exercer, a toda hora, a virtude do discernimento para manter a obediência a Deus, encontra, na liturgia, uma fonte de alimentação. A palavra de Deus dada ao batizado(a) na assembléia litúrgica atua como a formadora da sua consciência e lhe fornece os critérios para que possa julgar e decidir no cotidiano, a fim de que Deus receba a sua parte e seu quinhão.

(Extraído do Dia do Senhor)

Oração 

Ó Deus da vida,
dá-nos, a cada dia,
a graça de estar sempre a teu dispor
e te servir com um coração indiviso.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Filho, vai trabalhar hoje na vinha!"



Jesus apresenta a parábola dos dois filhos, chamados pelo pai a trabalhar na vinha. A imagem da vinha encontrase com frequência na Bíblia (Is 5,1-7; Jr 12,10-11; Sl 80 [79]), sobretudo para expressar a aliança de Deus com o povo. O texto de hoje salienta a maneira como os dois filhos se dirigem ao pai, as atitudes que adotam e, especialmente, suas palavras e ações. O filho verdadeiro não mostra apenas disponibilidade, mas trabalha na vinha do pai, praticando a sua justiça. É imagem dos cobradores de impostos e as prostitutas que precedem no Reino, porque acolhem a Boa Notícia anunciada por Jesus. Eles experimentam a presença salvadora de Deus manifestada em Jesus, cuja missão foi preparada e testemunhada por João. A adesão a Jesus e a sua mensagem proporciona a entrada no Reino.

A 1ª leitura acentua que a misericórdia do Senhor acompanha o povo exilado, na Babilônia. A palavra de Deus possibilita um novo começo, a formação de uma nova comunidade, comprometida com a reconstrução do futuro. O salmista contempla a bondade e a retidão do Senhor, que ensina a trilhar os seus caminhos.

A 2ª leitura exorta a ter os mesmos sentimentos de Cristo, procurando viver no amor mútuo, na comunhão do Espírito, na ternura e compaixão; não fazendo nada por ambição pessoal, nem se considerando melhores que os outros. Cristo nos dá o exemplo, tornando-se servo, esvaziando-se por amor a nós até o extremo da cruz.

A liturgia ressalta que a fidelidade à vontade do Pai manifesta-se com ações concretas, não com palavras sem compromisso. Como outrora, o Pai nos convida a trabalhar na sua vinha, a entrar no seu Reino, guiados por seu Filho Jesus, que permaneceu fiel ao seu plano de amor.
(Extraído da Revista de Liturgia)


Para refletir e partilhar:
01. Por quê a atitude do segundo filho é reprovada? Qual é a surpresa que Jesus relata usando esta parábola?
02. O que significa trabalhar na vinha do Pai (veja 1a. Leitura)? Qual o serviço que você e sua comunidade realiza nesta vinha?
03. Como Jesus cumpriu plenamente a vontade do Pai (veja 2a. Leitura)? Como (e através de quem) a vontade do Pai continua a se realizar nos dias de hoje?

Oração

Ó Deus, criador e senhor do universo, olha para as nossas necessidades.
Faze-nos sentir profundamente em nossas vidas a força da tua misericórdia,
para que possamos nos dedicar, com todas as forças, ao teu santo serviço
e ter para com nossos irmãos e irmãs os mesmos sentimentos que tens para conosco.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.. 

sábado, 13 de setembro de 2014

Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.


Festa da Exaltação da Santa Cruz: Nm 21,4b-9; Sl 77 (78); Fl 2,6-11; Jo 3,13-17



No dia 14 de setembro a Igreja celebra o triunfo da cruz de Cristo, instrumento e sinal da nossa salvação. Dentro do plano de Deus, a cruz tornou-se sinal e símbolo do Mistério Pascal. “É necessário que o Filho do Homem seja levantado” para que se mostre o amor de Deus, que quer a salvação da humanidade, ouvimos no Evangelho. Jesus aniquilou-se, entregou-se como verdadeiro Servo-Sofredor, e Deus premiou sua fidelidade, exaltou-o e o fez Senhor. Hoje, a Palavra nos ensina a compreender quem é Jesus, aprender a segui-Lo em seu caminho e ter coragem para tanto, assumir a atitude de total despojamento e aniquilamento até chegar à total solidariedade com a pessoa desfigurada. Estamos exaltando a santa Cruz nas pessoas crucificadas de hoje pelo compromisso da solidariedade? Ou preferimos poder, status, sucesso, glória? A cruz foi instrumentalizada no mundo capitalista e virou um material de consumo pra muitos que se dizem cristãos. É estranho exaltar um instrumento de tortura, a cruz, ou o “pau-de-arara” da paixão e morte de muitos perseguidos de nossos dias. A cruz que salva nos convida a sermos, com Jesus, agentes de salvação. (...)

É preciso que tenhamos os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. “O símbolo da cruz deverá nos levar aos crucificados de hoje, servos sofredores: pobres, doentes,idosos, explorados, violentados, traficados, crianças.... São eles os mais dignos de serem colocados ao vivo perto dos altares. A salvação só virá através deles, para os quais é sempre válida a Palavra do Evangelho:”Tive fome.... Tive sede....”Nenhum sofrimento deve nos aniquilar. A cruz já é vitoriosa em Jesus Ressuscitado. Levemos aos crucificados de hoje essa palavra de esperança, de confiança inabalável: a vida vence a dor, a cruz e a morte! Essa é a nossa fé! A fé que professamos..

(Extraído do O Dia do Senhor da Diocese de Colatina - ES)

 Para refletir e partilhar:

1. Para quem carrega o símbolo da cruz, o que ele significa? Qual é o compromisso que temos com as pessoas que são crucificadas hoje pela fome, miséria, discriminação e violência? Você usa a cruz como Jesus: sinal de despojamento e entrega a Deus e aos irmãos mais necessitados?
2. Como o símbolo da cruz é usado hoje maneira superficial e distorcida?
3. O que significa para você venerar a cruz de Cristo? Como resgatar o sentido profundo da Cruz para a sua vida pessoal e para a vida da Igreja?

Oração 

Deus justo e misericordioso,
vós nos perdoais e quereis que vos imitemos perdoando também nosso próximo.
Criai em nós um coração semelhante ao do vosso Filho,
sempre pronto a perdoar a ofensa recebida,
assim seremos testemunhas de vossa misericórdia.
Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 
Amém.