sábado, 20 de outubro de 2012

O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.




O evangelho está situado após o terceiro anúncio da paixão (vv.32-34) e mostra que os discípulos ainda não compreendem a missão de Jesus. Querem assegurar lugares de honra, pois esperam que o Cristo seja proclamado o Messias glorioso de Israel. O caminho do discipulado impele a beber o cálice com Jesus, a compartilhar sua paixão que se aproxima (14,36). A imagem do batismo sugere também a participação na morte redentora de Cristo (Rm 6,3). Assim, o exemplo de Jesus se opõe aos ambiciosos, que desejam os primeiros lugares. Na comunidade de Jesus, Servo sofredor, o poder consiste em servir o Reino de Deus. Os verbos governar e dominar, no v.42, descrevem com ironia, a liderança como poder e status. O Mestre substitui a hierarquia da dominação pelo serviço: Aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor; e quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos (vv.43-44).

O ensinamento de Jesus fundamenta-se na oferta de sua vida: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos (v.45). Ele carregou sobre si as dores e os pecados da humanidade, realizando plenamente a missão do Servo (1ª leitura). Deus exalta o justo pela fidelidade à sua vontade. O salmo acentua que o Senhor ama o direito e a justiça e sua graça transborda em toda a terra. Jesus é o sumo sacerdote eminente, capaz de compadecer-se das fraquezas humanas, pois foi provado em tudo, exceto no pecado (2ª leitura). Permaneçamos firmes na profissão de fé e confiantes na misericórdia divina.

Jesus inaugura um mundo novo, onde os primeiros e os maiores são aqueles que servem os outros. Ele continua exercendo seu sacerdócio, solidarizando-se com as nossas fraquezas. Sua presença renova e fortalece nossa ação missionária a serviço da paz, justiça, amor solidário.
(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
01. Os discípulos disputam os primeiros lugares, e hoje o que as pessoas disputam? 
02. Como Jesus se põe aos ambiciosos, que desejam os primeiros lugares?
03. Quais são as pessoas e grupos que para vocês são verdadeiros exemplos de serviço?

Oração 

Ó Deus da vida,
dá-nos, a cada dia,
a graça de estar sempre ao teu dispor
e te servir com um coração indiviso.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


domingo, 7 de outubro de 2012

"...Os dois serão uma só carne."





Jesus coloca a aliança matrimonial na perspectiva do plano original do Criador, recordando Gn 1,27 e 2,24. O homem e a mulher casados formam uma unidade pessoal inseparável. A legislação mosaica referente ao divórcio surgiu após o projeto inicial de Deus, por causa da dureza do coração. Conforme Dt 24,1, somente o homem podia dar o documento de divórcio, mas na legislação romana também a mulher tinha o direito de tomar tal iniciativa. Cristo, com sua palavra, propõe a transformação radical, que vai além das prescrições legais, sugerindo igual responsabilidade aos esposos. Jesus propõe voltar ao sonho divino, revelado desde o princípio da criação. Para participar da aliança amorosa com o Senhor, é necessário viver a confiança e a receptividade como as crianças. Por isso, Jesus afirma que é preciso receber o Reino de Deus como uma criança, para entrar nele (v.15). Assim, a atitude de Jesus, que abraça e abençoa as crianças, impondo-lhes as mãos (v.16), torna-se paradigma da disponibilidade do discípulo perante o Reino.

A 1ª leitura sublinha que a criação do ser humano é obra gratuita do amor de Deus. Homem e mulher foram formados com a mesma natureza, e ao unir-se em matrimônio, constituem uma só carne para viverem na igualdade e comunhão. No salmo, a bênção de Deus se manifesta em cada dia da vida, na família, no trabalho ao longo das gerações. Na 2ª leitura, Cristo assume nossa condição humana até a morte para nos libertar e santificar, introduzindo-nos na glória.

A fidelidade e doação total no matrimônio é sinal do amor de Deus. Fomos santificados com a vida, morte e ressurreição de Jesus para vivermos no amor, que cresce e se renova sempre. A confiança, igual à da criança, nos mantêm firmes no caminho do seu seguimento.

Para refletir e partilhar:
01. Quais pessoas são para você exemplo de vivência da aliança matrimonial? 
02. Como matrimônio é sinal do amor de Deus?
03. Por que, nos dias atuais, o matrimônio está sendo desvalorizado e até ridicularizado?

Oração 

Ó Deus eterno e todo-poderoso,
que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos,
derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência
e dando-nos mais do que ousamos pedir.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.




sábado, 29 de setembro de 2012

' Quem não é contra nós é a nosso favor'.




Os discípulos ainda não se abriram à mensagem de Jesus. Eles tentam impedir a ação libertadora de alguém, apenas porque não pertencia ao seu grupo. Sua fé continua insuficiente para libertar do mal e cuidar dos doentes (9,18-19). Jesus ensina a acolher todos os que fazem o bem, dizendo: Não o impeçais. Quem não é contra nós está a nosso favor (vv.39-40). A ação do Espírito de Deus é sem fronteiras e desperta as pessoas para gestos solidários, como oferecer um copo de água para beber. Jesus recompensa quem age em seu nome e exorta a não escandalizar os pequenos, que creem nele. O valor absoluto do Reino é simbolizado pelas imagens do pé, da mão e dos olhos. O ser humano todo é chamado a entrar no Reino de Deus, ou seja, na vida plena, assumindo opções coerentes com a mensagem libertadora de Jesus.

A 1ª leitura evoca a caminhada pelo deserto, quando os setenta anciãos são investidos com a força do Espírito e se tornam cooperadores de Moisés. Moisés reconhece a ação profética de Eldad e Medad apesar de não pertencerem ao grupo dos anciãos: Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta (v.29). O salmo ressalta que a lei do Senhor ilumina e enriquece quem a segue. A 2ª leitura exorta profeticamente a partilhar os bens com os necessitados, a não explorar os trabalhadores, privando-os do salário digno para viver.

A palavra e atuação de Jesus comprometem a trabalhar em favor da libertação de todas as formas do mal no mundo. O seguimento abre os horizontes da comunidade para a comunhão com todos os que colocam suas vidas a serviço da humanidade.
(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e comentar:
01. Como me relaciono com as pessoas que são diferentes de mim? E com aquelas que não pertecem ao meu grupo/pastoral, comunidade e/ou religião?
02. Reconheço que Deus também age através daqueles/as que não pertecem ao meu grupo?
03. Na comunidade, família e sociedade, procuro somar forças ou dividir e marginalizar?

Oração 

Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia,
derramai sempre em nós a vossa graça, para que,
caminhando ao encontro das vossas promessas,
alcancemos os bens que nos reservais.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.