Então, Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos... (Jo 13, 4-5)
João salienta o gesto de Jesus lavando os pés dos seus e deixando, como seu testamento em palavra e exemplo, fazer-se o mesmo entre os irmãos. Não ordena repetir um rito, mas fazer como ele, isto é, refazer em todo tempo e em toda comunidade, gestos de serviço mútuo - não padronizados, mas nascidos da criatividade daquele que ama -, através dos quais torne-se presente o amor supremo do Cristo pelos seus ("amou-os até o fim"). Todo gesto de amor se torna, portanto, "sacramento", isto é, visibilização, encarnação, linguagem simbólica, da única realidade: amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que crêem.
(Extraído do Missal Dominical - Missal da Assembléia Cristã, Paulus)
Domingo de Ramos e Paixão (Ano C): Lucas 19,28-40; Isaías 50,4-7; Salmo 22(21); Filipenses 2,6-11; Lucas 22,14-23,56
O relato [da Paixão] ressalta a humanidade de Jesus em profundo sofrimento, no lugar do Getsêmani. Na sua total solidão, derrama sua alma diante do Pai, em quem pode confiar plenamente. Manifesta-lhe toda sua fraqueza, pede-lhe socorro e dobra-se à vontade divina, mantendo-se firme na decisão de concluir sua tarefa com todas as consequências. Os discípulos, que deveriam vigiar com Jesus e apoiá-lo nessa hora de extrema dor, preferem abandonar-se ao sono. Jesus passou a vida fazendo o bem, fiel à missão que recebera do Pai. Sua fidelidade confronta-se com os grupos de poder, concentrados na capital, Jerusalém.
O grupo da elite religiosa pertencente ao Sinédrio mantinha seu poder à custa da exploração do povo empobrecido, legitimando suas posturas com interpretações interesseiras da Sagrada Escritura. Apesar de anunciarem a vinda do Messias, conforme as Escrituras, não podiam conceber que essa promessa se cumpriria na figura de alguém despojado de poder e solidário com os fracos e pequeninos. Não só isso: Jesus não adotou a mesma maneira dos rabinos de interpretar a palavra de Deus e toda a tradição de Israel. Seu lugar social era outro. E, por isso, era outro o modo de conceber as coisas. Enquanto a teologia oficial, com base no sistema de pureza, excluía da salvação as pessoas “impuras”, Jesus revela aos “impuros” o seu amor prioritário e oferece-lhes a salvação divina.
(...) A comunidade cristã contempla a Jesus como o Servo sofredor, que, assumindo a perseguição, a condenação, a paixão e a morte que lhe impõem os seus inimigos, revela a plenitude de seu amor pela humanidade em total confiança no socorro de Deus Pai (Evangelho). Jesus “se despojou de sua condição divina, tomando a forma de escravo... Abaixou-se e foi obediente até a morte sobre uma cruz” (II leitura). A celebração do domingo de Ramos constitui momento propício para manifestar gratidão a Deus pelo seu amor sem limites e para refletir sobre nossa responsabilidade no mundo de hoje de nos empenhar, a exemplo de Jesus, pela causa da vida de todos, conforme refletimos ao longo desta Quaresma.
(Extraído da revista Vida Pastoral)
Para refletir e partilhar
01. O que a entrada de Jesus em Jerusalém nos ensina sobre a sua pessoa e missão?
02. De que forma Jesus se revela como o verdadeiro Messias? Em que se baseia sua autoridade?
03. Como a paixão, morte e ressurreição de Jesus se prolongam nos dias de hoje?
Oração
Ó Deus, com ramos de oliveira,
crianças e pobres aclamaram Jesus ao entrar na cidade santa.
Abençoa nossa comunidade aqui reunida,
com ramos nas mãos louvando o teu nome.
Que no meio deste mundo ameaçado
pela violência este sinal da vitória pascal do Cristo,
V Dom Quaresma (Ano C): –Isaías
43,16-21; Salmo 126(125); Filipenses 3,8-14; João 8,1-11.
Jesus, depois de passar a noite em oração no monte das
Oliveiras, volta ao Templo de Jerusalém. Sentado, na posição de Mestre, ensina
ao povo reunido em volta dele. Os escribas e os fariseus apresentam o caso da
mulher surpreendida em adultério. Segundo Lv 20,10 e Dt 22,23- 24, a mulher e o
homem que praticavam o adultério eram apedrejados até a morte. Mas, o Deus da
vida não tem prazer com a morte do pecador, pois deseja que mude de conduta e
viva (Ez 18,23). Homens e mulheres são chamados à conversão, para acolher o
amor misericordioso do Pai, revelado em Jesus. A palavra do Mestre de Nazaré
convida os acusadores a rever as próprias atitudes: Quem dentre vós não tiver
pecado, atire a primeira pedra (8,7). Sendo enviado pelo Pai não para condenar,
mas para salvar (cf. Jo 3,17), Jesus começa um novo diálogo com a mulher, que
continuava no meio, em pé. Ele oferece o perdão e as condições para seguir uma
vida nova e plena: Vai, e de agora em diante não peques mais (8,11).
O profeta,
durante o exílio da Babilônia, consola o povo sofrido com a esperança de uma
nova libertação (1ª leitura). Deus, que realizou maravilhas no êxodo, abrirá um
caminho novo no deserto, para conduzir o povo de volta à terra prometida. O
salmo canta a esperança de salvação que reconduziu os exilados a Sião. A
conformidade a Cristo exige conhecimento profundo, para experimentar a força da
sua ressurreição e permanecer firme na caminhada em busca da meta (2ª leitura).
O encontro com Jesus possibilita experimentar a
misericórdia do Pai que perdoa e conduz a um caminho novo de salvação. Paulo,
modelo de adesão à Boa Nova de Cristo, nos ensina a unir as forças na luta para
transformar as estruturas de pecado.
A mesa da Palavra de Deus neste domingo nos convoca a
experimentar a imensa misericórdia de Deus que é capaz de realizar prodígios
maiores do que os vividos no Êxodo (cf. Is 45,15-20) e ainda a superar o
legalismo para salvar e dar a vida às pessoas. Renovemos a nossa fé no Senhor
da Vida e corramos para a meta, que é Cristo, nosso Senhor..
(Extraído da Revista de
Liturgia)
Oração
Senhor, nosso Deus,
dá-nos a graça de caminhar com
alegria
no mesmo amor que levou teu Filho
a entregar a sua vida pela
salvação da humanidade.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
Misericordias domini in aeternum cantabo
(A misericórdia do Senhor, sempre, sempre eu cantarei)
Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.
Para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Os céus celebram as tuas maravilhas, Senhor!
Feliz o povo que sabe louvar e bendizer e caminhar à luz do teu rosto