sábado, 16 de janeiro de 2016

“Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!”


II DTC – Ano C:  –  Isaías62,1-5; Salmo 96(95); 1 Coríntios 12,4-11; João 2,1-11


O sinal realizado por Jesus, em Caná da Galileia, assinala o começo de seu ministério público. Ocorre numa festa de casamento, imagem querida dos profetas para falar da relação amorosa de Deus com o povo (Os 2,16-22), como aparece na 1ª leitura. O profeta, após o exílio, em tempos de reconstrução, utiliza a imagem do casamento para expressar a alegria de Deus, o esposo, por sua amada, o povo. Contudo, na festa de Caná o vinho estava faltando. Jesus entra na festa como convidado. E a mãe de Jesus, símbolo do povo fiel à aliança, se dirige a ele ao perceber a falta de vinho, reconhecendo nele o esposo das novas núpcias, conforme já havia feito o Batista (cf. Jo 1,15.27.30). Na água, transformada em vinho manifesta-se a salvação já atuando em Jesus cuja obra vai ter pleno cumprimento na cruz, quando chegar a hora da sua glorificação. E os discípulos, que obedeceram a palavra de Jesus como servidores do reino, acreditaram nele, ao ver a transformação da água. Na 2ª leitura a diversidade dos dons e serviços indica que os discípulos e discípulas de Jesus formam uma comunidade servidora, sempre a oferecer o vinho do amor e da compaixão.

Como a mãe de Jesus e os discípulos, acolhemos a Palavra do Senhor que pode transformar em nossa vida aquilo que foi ficando desgastado com o passar do tempo. Pela fé em Cristo, formamos um só corpo, no mesmo Espírito, na nova comunidade com o vinho novo do amor, a serviço do reino no mundo.

No início do tempo comum, depois do natal e antes da quaresma, lemos o início da missão de Jesus, com o chamado dos discípulos e a proposta do Reino. São domingos marcados por um clima de manifestação do Senhor. Hoje, Ele se manifesta num casamento em Caná da Galileia. O sinal ali realizado inaugura o novo tempo que começa com a missão de Jesus, Messias e Filho de Deus. Com sua presença manifesta-se a glória de Deus. Na celebração, sinal visível da aliança de Deus conosco, Jesus Cristo se entrega a nós nos sinais do pão e do vinho. Que Ele nos torne um só corpo – comunidade de fé, em contínua conversão.

 (Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
01. Quais são as situações hoje que precisam serem transformadas no vinho novo do amor, da comunhão e do serviço?
02. O que este primeiro sinal de Jesus no evangelho de João nos ensina a respeito da sua missão? E qual a boa-notícia que esta palavra nos traz para nós hoje?

Oração 

Deus eterno e todo-poderoso,
que governais o céu e a terra,
escutai com bondade as preces do vosso povo
e dai ao nosso tempo a vossa paz.
Por Cristo, nosso Senhor. 
Amém.



sábado, 9 de janeiro de 2016

"Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer"

Batismo do Senhor:    Is 42,1-4.6-7; Sl 28(29); At 10,34-38; Lc 3,15- 16.21-22.

Baptism of Christ by Dave Zelenka

O povo estava na expectativa se João era o Cristo e acorria para receber o batismo de conversão e vida nova.  Mas o precursor batiza e anuncia o mais forte, o Messias esperado, que batizará com o Espírito Santo e com fogo.  Jesus, enviado para salvar os que eram batizados, recebeu também o batismo. Depois de batizado, enquanto rezava e permanecia em comunhão com o Pai, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele, como pomba. Então, ressoou a voz do Pai: Tu és o meu Filho amado; eu, hoje, te gerei (v.22). O Espírito é expressão do amor do Pai e se manifesta de forma visível na vida de Jesus, através das palavras e ações libertadoras. Recordando o Sl 2,7, Jesus é o Rei Messias, o Filho ungido para a missão libertadora a serviço do Reino. Ele age como Servo e Filho amado do Pai, enviado para resgatar a dignidade do povo oprimido.

Na 1ª leitura, Deus escolhe o Servo, ungindo-o com o seu Espírito, para ser a luz das nações, para implantar a justiça e o direito na terra. O Servo atua com meios pacíficos, em contraste com as forças militares dos reis opressores.  A palavra profética ilumina e abre os olhos do povo exilado na Babilônia, tornando-o participante ativo no processo de libertação. Deus, o Senhor do cosmos, abençoa com a paz e sua voz manifesta a salvação (salmo). Em Cristo, a voz do Pai se revela a toda a humanidade. Deus não faz acepção entre as pessoas, pois revelou seu amor a todos através da vida, morte e ressurreição de Jesus (2ª leitura). O essencial é a adesão ao Senhor, manifestada na prática da justiça.  Jesus de Nazaré é o Ungido, isto é, o Messias, que passou a vida fazendo o bem e curando a todos. Plenificado com a força do Espírito, ele anunciou a Boa Nova da paz, o amor compassivo do Pai aos necessitados. Suas testemunhas continuam o ministério a serviço da vida plena das pessoas.

Jesus é ungido com a plenitude do Espírito, para atuar como Messias Servo e Filho amado de Deus.  No batismo, mergulhamos no mistério da morte e da ressurreição de Cristo, para vivermos a vida nova. Somos confirmados como continuadores da missão profética, sacerdotal e régia.

(Extraído da Revista de Liturgia)
Oração 

Deus eterno e todo-poderoso,
que, sendo o Cristo batizado no Jordão
e pairando sobre ele o Espírito Santo,
o declarastes solenemente vosso Filho,
concedei aos vossos filhos adotivos,
renascidos da água e do Espírito Santo,
perseverar constantemente em vosso amor.

Por Cristo, nosso Senhor! 
Amém.

domingo, 3 de janeiro de 2016

' ... Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria!'

Epifania do Senhor:  –  Isaías 60,1-6; Salmo 72(71); Efésios 3,2-6; Mateus 2,1-12

No evangelho, Jesus se manifesta como o Messias e Filho de Deus, o verdadeiro Rei que nasce em Belém (cf. Mq 5,1) para apascentar o povo (cf. 2Sm 5,2). Os magos ou sábios do Oriente que representam todos os povos que acolhem a chegada do Rei-Messias prefiguram a missão universal de fazer discípulos/as em todas as nações (28,19). A fé, o reconhecimento e a adoração desses sábios contrastam com a cegueira dos que ignoram a presença do Salvador. Temendo os movimentos messiânicos como ameaças a seus interesses de poder e riqueza, Herodes convoca os sumos sacerdotes e os escribas que conhecem as Escrituras (vv.5-6), mas não reconhecem Jesus (21,15). Na 1ª leitura, Jerusalém em vias de reconstrução, acolhe os povos que regressam do exílio babilônico e de outras partes, carregados de oferendas. A glória de Deus resplandece nos povos que se unem para construir uma nova cidade, solidificada no amor e na justiça. No salmo, o rei, como figura da justiça e paz divina, tem a responsabilidade de ser agente da libertação para o povo. A 2ª leitura acentua que o plano da salvação de Deus, destinado a todo ser humano, foi realizado plenamente em Cristo. Romperam-se as barreiras que dividiam os povos e assim também os gentios, como membros do mesmo corpo, tornaram-se participantes da mesma promessa de salvação.


A Epifania celebra a manifestação da universalidade da salvação em Cristo e impele os povos, unidos pela fé, a reconhecê-lo e adorá-lo como Deus vivo e verdadeiro. Ele é a luz, a palavra que ilumina o nosso caminho para que façamos resplandecer a sua presença amorosa de verdade e vida.

O Senhor Deus, hoje nos revela o seu Filho a todas as nações. Que Jesus, sempre nos guie e nos fortaleça em todas as iniciativas de unidade, de comunhão e de preservação da terra.

 (Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e comentar:
01. Como a atitude dos magos em relação a Jesus se contrasta com a de Herodes?
02. Jesus se revela como luz para todas as nações, quais as barreiras que ainda precisam ser superadas nas comunidades e no mundo?

Oração 

Ó Deus de todos os povos, guiando os magos pela estrela,
tu revelaste hoje o teu filho Jesus a toda a humanidade.
Dá a nós, teus servos e servas, que já te conhecemos pela fé,
a graça de buscarmos sempre o teu rosto
e participarmos plenamente da tua luz.
Por Cristo, nosso Senhor! 
Amém.