segunda-feira, 23 de novembro de 2015

“...Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.”


Cristo Rei (Ano B):  –  Dn 7,13-14; Sl 93(92); Ap 1,5-8; João 18,33b-37


O evangelho pertence ao relato da paixão de Jesus Cristo e acentua que sua realeza se manifesta na entrega por amor. A pergunta de Pilatos, “Tu és o rei dos judeus?”, coloca o processo na dimensão política. Havia a expectativa de um rei Messias, que iria restaurar a soberania de Israel. O título “rei dos judeus” (19,19) é fixado no alto da cruz, como causa da sentença de sua morte. Mas Jesus é o Messias Servo, que morre na cruz em consequência de seu compromisso com a justiça do Reino. Enviado pelo Pai a serviço da vida (10,10), ele manifesta que seu Reino não é deste mundo. Jesus testemunha a verdade através da doação total da vida por amor. Pertencer à verdade de Cristo consiste em crer e praticar a Palavra, reconhecendo sua realeza no serviço aos necessitados. A verdade que o Filho de Deus manifestou é um apelo à conversão: se permanecerdes na minha palavra conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres (8,31-32).

A 1ª leitura utiliza linguagem apocalíptica para falar da ação de Deus, com rosto humano, oposta aos reinos opressores. A figura do Filho do Homem foi associada, pela tradição cristã, a Jesus como Messias. O salmo celebra a realeza do Senhor que criou o universo e o governa com soberania. A 2ª leitura sintetiza a missão de Jesus por meio de três títulos messiânicos: Testemunha fiel, Primogênito dos mortos e Príncipe dos reis da terra. Jesus deu a vida para formar um povo sacerdotal, pois é o princípio e o fim de toda a criação.

Cristo é o Senhor do universo, pois instaurou o reinado da verdade, com a doação da própria vida. Como povo sacerdotal, continuadores do amor fiel de Jesus, recebemos a missão de servir o Reino da justiça, amor e paz, oposto a toda forma de ambição, poder, riqueza e privilégio.

(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
01. O que mais lhe chamou atenção no Evangelho? Comente a figura acima: qual é a sua relação com o Evangelho?
02. Que tipo de rei é Jesus? Como ele é diferente dos poderosos deste mundo?
03. O que significa seguir Jesus Rei, que "instaurou o reinado na verdade, com a doação da própria vida"?
04. Sinto-me parte do Reino que Jesus veio inaugurar? O que faço? O que poderia fazer mais ou melhor pelo Reino de Deus?

Oração 

Deus da vida,
tu quiseste reunir e reconciliar toda a tua criação no teu filho Jesus,
a quem proclamamos amigo e servidor dos pobres,
Senhor do universo e da história. Escuta nossas preces
e concede a todas as criaturas, libertas de toda escravidão,
a graça de servir ao teu reino e glorificar sempre teu nome santo,
bendito pelos séculos dos séculos. 
Amém.



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

“...O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.”


XXXIII Dom TC (Ano B):  –  Dn 12,1-3; Sl 16(15); Hb 10,11-14.18; Mc 13,24-32.


O evangelho reflete um contexto assinalado por conflitos, sobretudo a guerra judaica (66-73 d.C), marcada pela destruição do templo e da cidade de Jerusalém. Renasce a tradição profética e apocalíptica, com a esperança de um tempo novo de salvação. A manifestação gloriosa de Jesus é descrita com a fé pascal: após a grande tribulação, verão o Filho do Homem vindo entre nuvens com grande poder e glória. Jesus é a luz que vence as trevas da opressão e da morte através da ressurreição. Sua presença de paz estabelecerá definitivamente o Reino de Deus, já revelado com sua vida. A espera da revelação plena do Reino deve ser ativa, como mostra a imagem da figueira (cf. vv. 28-29). Os ramos verdes e as folhas que brotam são sinais da ação de Deus nos acontecimentos da história. As palavras de Jesus não passarão, pois seu valor é eterno. Foram guardadas pelos primeiros cristãos e permanecem para revigorar o compromisso a serviço do Reino.

A 1ª leitura fala da esperança de salvação. A promessa da ressurreição impele a viver a justiça em meio às perseguições, por causa da fidelidade à aliança. Jesus, vencendo a morte pela ressurreição, realiza plenamente a esperança da vida eterna. O/a salmista expressa a confiança no Deus da vida que não abandona o justo na morte. A experiência da comunhão faz vislumbrar a felicidade no Reino celeste. Cristo com uma única oferenda levou à perfeição definitiva os que ele santifica (2ª leitura). A fé proporciona participar da obra redentora de Cristo e viver a vida nova.

O Reino de Deus, anunciado por Jesus, deve continuar sendo construído pela prática da solidariedade. É necessário estarmos atentos para perceber os sinais de salvação. Deixemo-nos conduzir pelas palavras de Cristo, para permanecermos no caminho de fidelidade a seu projeto.

(Extraído da Revista de Liturgia)

Oração 

Deus da paz,
enche nossa vida com a alegria de te servir
com um coração indiviso
e faze-nos experimentar profundamente
a felicidade de trabalhar por ti, criador de tudo, e por teu reino. 
Por Cristo, nosso Senhor. 

Amém



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

“...Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver.”




Jesus está no templo de Jerusalém, centro da vida e religião de Israel, lugar onde as pessoas costumavam fazer suas oferendas e sacrifícios. A palavra de Jesus ilumina a tomar cuidado com os que devoram as casas das viúvas, enquanto ostentam longas orações (cf. v.40). As viúvas, além de marginalizadas, eram exploradas com frequência (cf. Is 1,23; 10,2). Por isso enquanto observa como a multidão depositava as moedas no cofre, Jesus enaltece a ação de uma viúva pobre que ofereceu duas moedinhas, isto é, um quadrante (valor mínimo em circulação). Essa viúva generosa e confiante na graça divina é apresentada por Jesus como modelo no caminho do discipulado. Sua atitude é elogiada porque ela ofereceu tudo o que tinha para viver (cf. v.44), não apenas o excedente como os outros. A ação da viúva ao colocar toda a vida nas mãos do Pai, é comparada com a oferta total de Cristo, por amor.

A viúva anônima da entrada do templo lembra a de Sarepta, que ofereceu hospitalidade e partilhou o pouco alimento que possuía (1ª leitura). A esperança na palavra de Deus suscita gestos solidários que asseguram a sobrevivência durante a seca, no tempo do profeta Elias (séc. IX a.C.). O salmo convida a confiar no Deus da vida que ampara a viúva e o órfão e confunde os caminhos dos opressores. A 2ª leitura ressalta que Cristo oferece sua vida pela redenção da humanidade, transcendendo os sacrifícios que anualmente eram repetidos no dia do Grande Perdão (Yom Kippur, cf. Lv 16).

Cristo, mediante a doação plena da vida, mostrou o caminho do amor solidário. Que a força profética de sua palavra sustente o nosso compromisso de sermos generosos como a viúva do templo e a de Sarepta. A partilha da vida e dos bens expressa fidelidade ao projeto de Deus.

(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
01. O que essa pobre viúva nos ensina com o seu gesto?
02. Você vive sua vida como doação a Deus e ao próximo? De que forma?
03. Quais pessoas são exemplo de doação de si mesmas?

Oração 

Deus de bondade e de ternura,
afasta de nós toda acomodação e instalação,
para que possamos, de coração disponível,
nos dedicar ao serviço do teu reino. 
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.