domingo, 19 de maio de 2013

Recebei o Espírito Santo.

Domingo de Pentecostes: At 2, 1-11; Sl 103 (104); 1Cor 12, 3b-7.12-13; Jo 20, 19-23


As hostilidades e perseguições, sobretudo da parte do império romano, geram medo e dificuldades no anúncio da mensagem da salvação. O encontro dos discípulos com o Ressuscitado os liberta e suscita profunda alegria. As marcas da paixão de Jesus, suas mãos e o lado, revelam os sinais vitoriosos da vida sobre a morte. Do lado aberto de Jesus fluem rios de vida nova, o Espírito (7, 37-39). A palavra de Jesus, o enviado do Pai, ilumina a missão dos discípulos. Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo! (vv.21-22). O Espírito que os discípulos recebem é o sopro divino, que lembra Gn 2,7, quando Deus infundiu o dom da vida ao ser humano. Assim, o sopro de Jesus caracteriza a vida nova que surge de sua ressurreição, capacitando os discípulos para a missão de libertar dos pecados e da opressão.

Na 1ª leitura, o Espírito de Deus plenifica as pessoas de todas as nações. A força unificadora do Espírito reconstrói a unidade e leva a viver a fé em Jesus Cristo, na diversidade de línguas e culturas. O salmista bendiz o Senhor, pois ele concede a existência às criaturas através de seu espírito ou sopro vital: Se o sopro lhes tiras, morrem. Envias teu espírito, são criadas e assim renovas a face da terra. A 2ª leitura enfatiza que fomos batizados num único Espírito para formarmos um único corpo. Os diversos ministérios provêm do mesmo Espírito, do mesmo Senhor, do mesmo Deus que realiza tudo em todos.

A ação perene do Espírito manifesta no mundo a salvação de Deus, destinada a todo o ser humano. Como os discípulos, o Espírito nos liberta de todas as formas de opressões e nos plenifica da presença de Deus, capacitando-nos para sermos anunciadores da Boa Nova de Jesus.
(Extraído da Revista de Liturgia)

Para refletir e partilhar:
1. Onde percebo a ação do Espírito Santo hoje?
2. O que devemos fazer para promover a paz, a unidade e a comunhão entre os cristãos?


Oração

Ó Deus, mãe da consolação,
na alegria desta festa em que iluminas com o fogo do teu amor
as comunidades de todos os povos e nações,
derrama, sobre o universo inteiro,
o dom generoso do teu Espírito
e realiza agora no coração da Igreja
as maravilhas que operaste no início da pregação do evangelho.
Por Cristo, nosso Senhor. 
Amém.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ele viu, e acreditou!

Domingo da Páscoa: At 10,34a.37-43; Sl 117; Cl 3,1-4; Jo 20,1-9


O primeiro dia da semana indica um novo tempo. Tem ligação com o início da criação do mundo. A morte de Jesus significou a passagem das trevas para a luz que nunca mais se apagará. A fé na ressurreição, porém, não se processa da mesma maneira em todas as pessoas. Algumas precisam de um tempo maior para assimilar essa verdade que tudo transforma. Maria Madalena recebe especial distinção: ainda no escuro, dirige-se ousadamente ao túmulo de Jesus. Apesar de ver a pedra removida, não consegue ainda perceber a luz do sol (Jesus que ressuscitou) anunciando uma nova aurora. Perplexa, corre ao encontro de Simão Pedro e do discípulo que Jesus amava para dizer-lhes de sua preocupação com o que havia constatado. O seu anúncio provoca a movimentação dos dois discípulos na busca do verdadeiro sentido dos últimos acontecimentos.


Maria Madalena, nesse relato de João, é representativa da comunidade que não aceita permanecer acomodada. Busca ansiosamente a explicação do que realmente aconteceu naquele “primeiro dia da semana”. É atitude muito positiva, pois “quem busca encontra e quem procura acha”. Por isso, ela é especialmente valorizada. Jesus deixa-se encontrar. Impulsionada pelo amor, caminha na direção do Amado. O maravilhoso encontro de Maria Madalena com Jesus ressuscitado se dá logo a seguir (20,11-18).

A comunidade cristã primitiva reconhecia-se no jeito de ser de Maria Madalena, de Pedro e do discípulo amado. Havia pessoas que ainda permaneciam nas “trevas” da morte de Jesus; sentiam-se desamparadas e desorientadas. Havia as que não conseguiam acolher a verdade da ressurreição de Jesus. Diziam que seu corpo fora retirado por alguém e que se inventou a notícia de que ele havia ressuscitado. É o que se percebe na expressão de Maria Madalena: “Retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Essas pessoas ainda estão no emaranhado de dúvidas, porém, pouco a pouco, receberão a graça de reconhecer a ressurreição de Jesus como um acontecimento verdadeiro e não como uma lenda

(Extraído da Revista de Liturgia)

Para refletir e partilhar:
01. Para onde devemos correr para fazer hoje a experiência do Cristo Ressuscitado?
02. Quais são os sinais da ressurreição de Jesus em nosso meio?
03. O que significa a fé na ressurreição do Senhor para você? Como ela ajuda você a viver melhor hoje?


Oração

Ó Deus, nosso Pai, hoje abriste para nós o caminho da vida,
com a vitória do teu filho Jesus sobre a morte.
Por teu Espírito, faze de nós, que celebramos este dia de festa e alegria,
a graça de sermos homens e mulheres novos, ressuscitados.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.



sábado, 9 de março de 2013

Vamos fazer um banquete.




Jesus conta a parábola do filho pródigo depois que os fariseus e os escribas murmuraram contra ele por causa de sua amizade com os publicanos e pecadores (cf. Lc 15,1). Há, na parábola, um pai e dois filhos.   Um se extravia, chega ao fundo do poço e resolve voltar.  O pai acolhe sem pedir explicações, mas o filho mais velho se revolta.  Nessa parábola, a personagem central é o pai, a quem o filho mais novo conhece e recorre quando se encontra reduzido à extrema miséria.  E, neste encontro, descobre que não o conhece o bastante.  Recita a fórmula de arrependimento longamente preparada, mas esta se converte em mera formalidade diante do amor gratuito do pai, que age comovido de afeição paternal em vez de movido por alguma lei.  Assim é Deus, e esta é a realidade que Jesus veio revelar ao acolher os publicanos e os pecadores.  O filho mais velho também não conhece o coração do pai. A sua “justiça” o impede de conhecer o amor do seu pai, que não deixa de convidá-lo e insistir para que entre na alegria da festa.

Olhando agora este texto a partir da nossa existência, facilmente nos identificamos com o filho mais novo, em sua situação de desolação e fracasso; ou com o filho mais velho, incapaz de entender o amor do pai diante do filho devasso... Mais difícil é identificar-nos como Pai, e talvez seja este o maior desafio que esta palavra nos apresenta.  Esta é a meta do discípulo.  Seguir Jesus é testemunhar, pela palavra e pela vida, a terna compaixão de Deus.

Na assembléia litúrgica, o Senhor nos convida a entrar no banquete do seu amor, a deixar o nosso coração se alegrar com a música da festa, com as coisas boas que possam ter acontecido com as pessoas de nossa convivência, a buscar dentro de nós motivos para render graças à vida.  Pedimos com insistência que o Senhor nos dê um coração de filho, para aprendermos a ter coração de pai e de mãe, capaz de amar gratuitamente, de oferecer confiança.
 (Extraído do Dia do Senhor)

Oração 

Ó Pai, fonte de luz e de vida, por teu Filho Jesus Cristo,
reconciliastes a humanidade dividida.
Arranca de nós toda sombra de tristeza e liberta-nos totalmente,
para que caminhemos cheios de alegria para as festas pascais que se aproximam.
Por Cristo, nosso Senhor. 
Amém.