domingo, 14 de junho de 2009

O Reino (XI DTC)

O Reino de Deus é como um homem que espalha a semente na terra. (Mc 4, 26)

Neste domingo, retomamos a leitura do Evangelho de Marcos, dando assim continuidade ao Tempo Comum. A espiritualidade deste tempo é a espiritualidade do cotidiano e rotineiro. Ao invés de focar os grandes eventos da salvação, o Tempo Comum nos convida a prestar atenção aos fatos comuns do dia-a-dia e descobrir neles as sementes ocultas do Reino. Durante este tempo, as leituras do Evangelho proclamam as ações e os ensinamentos de Jesus.

Depois da parábola do Semeador, Jesus conta duas parábolas onde o Reino de Deus é comparado a semeadura e a semente (Mc 4, 26-34). Jesus questiona, "Com que coisa podemos comparar o Reino de Deus? Que parábola podemos usar?" E responde, "O Reino de Deus é como um homem que espalha a semente na terra", e ainda, "O Reino é como uma semente de mostarda." Notem, que Jesus compara (é como), mas não dá definições sobre o Reino. Ele usa metáforas para falar sobre o Reino, pois Reino não pode ser definido ou contido em formas racionais rígidas. O Reino é uma realidade dinâmica – é como um homem que espalha a semente -, e misteriosa, sobre a qual o homem não tem controle – a semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como isso acontence. O Reino é ainda uma realidade surpreendente, universal e irreversível, que atinge seu fim de qualquer maneira, "... a mostarda, que é a menor de todas as sementes da terra (...) quando é semeada, a mostarda cresce e torna-se maior que todas as plantas; ela dá ramos grandes, de modo que os pássaros do céu podem fazer ninhos em sua sombra." Valendo-se de imagens comuns aos seus ouvintes da Galiléia, Jesus deseja despertar a imaginação criativa das pessoas. O Reino faz parte do mundo da imaginação, da utopia, do sonho. Isto não significa que ele não exista ou esteja distante, inacessível. Na verdade, ele é a força vital atrás da realidade que percebemos. O Reino tem haver com as aspirações mais profundas do ser humano, que são também aspirações de Deus.

Hoje, muitos sofrem de incapacidade poética, têm dificuldades de atiçar a imaginação criativa e não conseguem sonhar o sonho do Reino. Na sociedade capitalista nossos sonhos foram transformados em sonhos de consumo: produtos e serviços que prometem o que jamais podem realizar. "Sonhamos" os produtos que o mercado deseja que sonhamos. Parece que a propaganda nos roubou a capacidade de sonhar sonhos mais ousados. A mídia, atravé do marketing, domestica e controla nossa capacidade criativa e bloqueia imaginações mais ousadas. Assim, hoje, as parábolas do Reino provocam a nossa imaginação, a nosso poder de criar, inventar e re-inventar o novo. Para a pessoa de fé, o Reino não se rende. Ele está aí. Ele nos energiza, e nos dá capacidade de mover montanhas. O Reino é difícil de explicar racionalmente, mas é real. Ele é como...


Para refletir e comentar:

  1. Use sua imaginação poética e responda, "Com que coisa podemos comparar o Reino de Deus?" O Reino de Deus é como...


Senhor Jesus Cristo,
Semeador das sementes do Reino,
não permitas que nossa imaginação seja atrofiada.
Dai-nos capacidade de sonhar o sonho do Reino,
dinâmico, surpreedente e universal,
difícil de se expressar em conceitos rígidos,
mas tão real e necessário quanto o "pão nosso de cada dia."
Amém.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Corpus Christi

Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, o partiu, distribuiu a eles, e disse: "Tomem, isto é o meu corpo." (Mc 15, 22)

"O Cristianismo é, por excelência, a religião da unidade e da inclusão dos corpos. Em sua natureza semítica não há lugar para o dualismo platônico, que faz do corpo cárcere do espírito e, deste, o retrato em negativo da concupiscência da carne. No batismo, nosso corpo é lavado no sangue de Cristo. Na eucaristia, ele se nutre do corpo de Deus. No matrimônio, "numa só carne" os corpos se fundem no amor que transubstancia o carinho em liturgia e a sexualidade em fonte prazerosa de vida. No Credo, os cristãos professam a fé "na ressurreição da carne".

Assim, a fé cristã sacraliza a corporalidade humana, templo vivo de Deus, e repudia tudo aquilo que aprofana: opressão, exclusão, humilhação, violência, fome etc. Pois, em Jesus, Deus assume o corpo humano. "O Verbo fez-se carne", proclama o evangelho de João. A prática de Jesus caracterizou-se pelo resgate do corpo: se doente, é curado; se oprimido, libertado; se condenado, perdoado; se excluído, acolhido. E sempre amado.

Jesus deixou que tocassem seu corpo, a ponto de uma prostituta lavar-lhe os pés e enxugá-los com os cabelos, beijá-los e ungi-los com perfume (Lucas 7, 36-50). E fez de dois recursos indispensáveis à sobrevivência do corpo - a comida e a bebida, pão e vinho - sacramento, no qual o seu corpo eucarístico nos é dado como alimento para a vida eterna, desde que, agora, saibamos, no amor, testemunhar que a vida é terna.

Fazer silêncio dentro de si, deixar fluir a voz interior e tratar o semelhante como sacramento vivo, são cuidados do corpo. Abrir-se ao Deus que nos habita pela graça, pela fé e por essa fascinante história da evolução do Universo que, desde o Big Bang, culmina nesse fruto inefável da natureza que é cada um de nós. O corpo de Gaia também é corpo de Cristo. A Igreja deveria incluir entre os pecados a devastação de florestas, a poluição do ar e dos rios, a contaminação dos mares. Deveria clamar mais alto, não apenas em prol das espécies animais ameaçadas de extinção, mas sobretudo em favor da espécie mais degradada pela fome e pela violência: a humana.

Gente é para brilhar, canta o poeta. Se em nossa sociedade os corpos não brilham ou brilham só quando besuntados de cosméticos, e não banhados de luz interior, algo anda errado. A festa anual de Corpus Christi quer nos fazer recordar que corpo é copo, cálice, onde se bebe o vinho da alegria e da salvação, inserido no corpo místico e cósmico do Cristo.

Só haverá futuro digno quando todos os corpos viverem em comunhão, saciados da fome de pão e de beleza."
(Frei Betto)

Para refletir e comentar:
1. Qual é a mensagem fundamental de Corpus Christi?


Na verdade, vós sois santo e digno de louvor, ó Deus,
que amais os seres humanos e sempre os assistis no caminho da vida.
Na verdade, é bendito o vosso Filho, presente no meio de nós,
quando nos reunimos por seu amor.
Como outrora aos discípulos,
ele nos revela as Escrituras e parte o pão para nós.
- O vosso Filho permaneça entre nós!

(trecho da Oração Eucarística VI – D)

domingo, 7 de junho de 2009

Santíssima Trindade

... Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. (Mt 28, 19)

No domingo da Solenidade da Santíssima Trindade, nós refletimos a passagem que conclui o Evangelho de Mateus (Mt 28, 16-20). Seguindo a ordem de Jesus para retornarem a Galiléia, os onze apóstolos vêem Jesus Ressuscitado e o adoram. A montanha onde eles se encontram é um lugar simbólico, que remete ao Sinai e ao lugar onde Jesus proferiu o famoso sermão no evangelho de Mateus (cf. Mt, 5-7). O fato do evangelho afirmar que alguns duvidaram parece atestar que fé e dúvida sempre fizeram parte da caminhada da Igreja. Depois, Jesus se aproxima deles e diz, "Toda autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos..." Jesus ressuscitado, Senhor da história, recebe toda a autoridade do Pai e confere ao onze a missão de fazer com que todos os povos se tornem seus discípulos. Em seguida, ele explica como isso dever ser feito: "...batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo", e "...ensinado-os a observar tudo o que ordenei a vocês." Pelo batismo, nos tornamos participantes da vida divina e co-responsáveis pela missão de Jesus Cristo. A tarefa de ensinar o quê Jesus ordenou, nos faz voltar aos ensinamentos contido no evangelho, sobretudo ao Sermão da Montanha, onde as Bem-Aventuranças têm lugar central.

Os onze representam o primeiro núcleo da comunidade cristã. A missão de fazer discípulos que Jesus confere a eles é para todos nós. Ela é um chamado universal. Na Igreja, o ofício de ensinar é sempre urgente e requer o envolvimentos de todos. O ministério da Palavra, em toda sua diversidade, busca responder a este chamado. As palavras finais de Jesus no evangelho de Mateus nos conforta e anima, "Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo."

Para refletir e comentar: 1. O batismo no faz participantes da vida divina e da missão de Jesus Cristo. Como minha comunidade responde ao mandado de Jesus, "Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos..."?


Bendito sejas vós Senhor Jesus, Emanuel, Deus-conosco,
por sempre nos acompanhar nos caminhos da história.
Vossa presença nos anima a seguir evangelizando segundo o vosso mandado,
e nos impulsiona a viver o dia-a-dia no espírito de vossas bem-aventuranças.
Por tudo isso, damos graças ao Pai,
em Cristo, nosso Senhor,
na unidade do Espírito Santo.
Amém.