domingo, 7 de outubro de 2012

"...Os dois serão uma só carne."





Jesus coloca a aliança matrimonial na perspectiva do plano original do Criador, recordando Gn 1,27 e 2,24. O homem e a mulher casados formam uma unidade pessoal inseparável. A legislação mosaica referente ao divórcio surgiu após o projeto inicial de Deus, por causa da dureza do coração. Conforme Dt 24,1, somente o homem podia dar o documento de divórcio, mas na legislação romana também a mulher tinha o direito de tomar tal iniciativa. Cristo, com sua palavra, propõe a transformação radical, que vai além das prescrições legais, sugerindo igual responsabilidade aos esposos. Jesus propõe voltar ao sonho divino, revelado desde o princípio da criação. Para participar da aliança amorosa com o Senhor, é necessário viver a confiança e a receptividade como as crianças. Por isso, Jesus afirma que é preciso receber o Reino de Deus como uma criança, para entrar nele (v.15). Assim, a atitude de Jesus, que abraça e abençoa as crianças, impondo-lhes as mãos (v.16), torna-se paradigma da disponibilidade do discípulo perante o Reino.

A 1ª leitura sublinha que a criação do ser humano é obra gratuita do amor de Deus. Homem e mulher foram formados com a mesma natureza, e ao unir-se em matrimônio, constituem uma só carne para viverem na igualdade e comunhão. No salmo, a bênção de Deus se manifesta em cada dia da vida, na família, no trabalho ao longo das gerações. Na 2ª leitura, Cristo assume nossa condição humana até a morte para nos libertar e santificar, introduzindo-nos na glória.

A fidelidade e doação total no matrimônio é sinal do amor de Deus. Fomos santificados com a vida, morte e ressurreição de Jesus para vivermos no amor, que cresce e se renova sempre. A confiança, igual à da criança, nos mantêm firmes no caminho do seu seguimento.

Para refletir e partilhar:
01. Quais pessoas são para você exemplo de vivência da aliança matrimonial? 
02. Como matrimônio é sinal do amor de Deus?
03. Por que, nos dias atuais, o matrimônio está sendo desvalorizado e até ridicularizado?

Oração 

Ó Deus eterno e todo-poderoso,
que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos,
derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência
e dando-nos mais do que ousamos pedir.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.




sábado, 29 de setembro de 2012

' Quem não é contra nós é a nosso favor'.




Os discípulos ainda não se abriram à mensagem de Jesus. Eles tentam impedir a ação libertadora de alguém, apenas porque não pertencia ao seu grupo. Sua fé continua insuficiente para libertar do mal e cuidar dos doentes (9,18-19). Jesus ensina a acolher todos os que fazem o bem, dizendo: Não o impeçais. Quem não é contra nós está a nosso favor (vv.39-40). A ação do Espírito de Deus é sem fronteiras e desperta as pessoas para gestos solidários, como oferecer um copo de água para beber. Jesus recompensa quem age em seu nome e exorta a não escandalizar os pequenos, que creem nele. O valor absoluto do Reino é simbolizado pelas imagens do pé, da mão e dos olhos. O ser humano todo é chamado a entrar no Reino de Deus, ou seja, na vida plena, assumindo opções coerentes com a mensagem libertadora de Jesus.

A 1ª leitura evoca a caminhada pelo deserto, quando os setenta anciãos são investidos com a força do Espírito e se tornam cooperadores de Moisés. Moisés reconhece a ação profética de Eldad e Medad apesar de não pertencerem ao grupo dos anciãos: Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta (v.29). O salmo ressalta que a lei do Senhor ilumina e enriquece quem a segue. A 2ª leitura exorta profeticamente a partilhar os bens com os necessitados, a não explorar os trabalhadores, privando-os do salário digno para viver.

A palavra e atuação de Jesus comprometem a trabalhar em favor da libertação de todas as formas do mal no mundo. O seguimento abre os horizontes da comunidade para a comunhão com todos os que colocam suas vidas a serviço da humanidade.
(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e comentar:
01. Como me relaciono com as pessoas que são diferentes de mim? E com aquelas que não pertecem ao meu grupo/pastoral, comunidade e/ou religião?
02. Reconheço que Deus também age através daqueles/as que não pertecem ao meu grupo?
03. Na comunidade, família e sociedade, procuro somar forças ou dividir e marginalizar?

Oração 

Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia,
derramai sempre em nós a vossa graça, para que,
caminhando ao encontro das vossas promessas,
alcancemos os bens que nos reservais.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


sábado, 12 de maio de 2012

Amai-vos uns aos outros.

VI DT Pascal (Ano B): Atos 10,25- 26.34-35.44-48; Sl 98(97); 1Jo 4,7-10; João 15,9-17.


O evangelho de hoje, embora continuação da passagem proclamada domingo passado, apresenta uma mudança de linguagem e de ênfase. As metáforas utilizadas não vêm mais da natureza, como a imagem da videira e dos ramos, mas da convivência humana, com seus dinamismos de obedecer, amar, estabelecer amizades, alegrar-se, etc. O contraste, antes estabelecido entre estar unido/não estar unido, transfere-se para o nível social: a diferença de relação entre o senhor e o escravo e a relação entre amigos.

A insistência de Jesus é para que estreitemos ainda mais os laços de comunhão com ele. Seguir Jesus é entrar em sua intimidade, é ser de sua casa, é saber o que ele faz. Ele provou a doçura da comunhão com o Pai e se propõe a viver esse nível de relação com seus discípulos. A boa nova que nos vem desta palavra é o próprio Senhor ressuscitado que nos revela: o Pai tão próximo de nossa vida a ponto de se fazer nosso amigo.

Nesta celebração, adoremos o Senhor na alegria de participar do convívio de sua casa. Aceitemos o convite de viver uma entrega total e fiel a ele. Que ele derrame o seu Espírito em nossos corações, para que possamos viver isso de modo bem concreto em tudo o que fazemos e somos.

(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
1. Como você experimenta o amor de Deus?  Em quais pessoas você o experimenta?
2. Como você busca viver o mandamento do amor?

Oração
Deus da vida,
dá-nos a graça de vivermos profundamente
estes dias de alegria em que festejamos
a ressurreição de Cristo,
para que a nossa vida corresponda sempre mais
àquilo que na fé celebramos.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.