sábado, 29 de setembro de 2012

' Quem não é contra nós é a nosso favor'.




Os discípulos ainda não se abriram à mensagem de Jesus. Eles tentam impedir a ação libertadora de alguém, apenas porque não pertencia ao seu grupo. Sua fé continua insuficiente para libertar do mal e cuidar dos doentes (9,18-19). Jesus ensina a acolher todos os que fazem o bem, dizendo: Não o impeçais. Quem não é contra nós está a nosso favor (vv.39-40). A ação do Espírito de Deus é sem fronteiras e desperta as pessoas para gestos solidários, como oferecer um copo de água para beber. Jesus recompensa quem age em seu nome e exorta a não escandalizar os pequenos, que creem nele. O valor absoluto do Reino é simbolizado pelas imagens do pé, da mão e dos olhos. O ser humano todo é chamado a entrar no Reino de Deus, ou seja, na vida plena, assumindo opções coerentes com a mensagem libertadora de Jesus.

A 1ª leitura evoca a caminhada pelo deserto, quando os setenta anciãos são investidos com a força do Espírito e se tornam cooperadores de Moisés. Moisés reconhece a ação profética de Eldad e Medad apesar de não pertencerem ao grupo dos anciãos: Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta (v.29). O salmo ressalta que a lei do Senhor ilumina e enriquece quem a segue. A 2ª leitura exorta profeticamente a partilhar os bens com os necessitados, a não explorar os trabalhadores, privando-os do salário digno para viver.

A palavra e atuação de Jesus comprometem a trabalhar em favor da libertação de todas as formas do mal no mundo. O seguimento abre os horizontes da comunidade para a comunhão com todos os que colocam suas vidas a serviço da humanidade.
(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e comentar:
01. Como me relaciono com as pessoas que são diferentes de mim? E com aquelas que não pertecem ao meu grupo/pastoral, comunidade e/ou religião?
02. Reconheço que Deus também age através daqueles/as que não pertecem ao meu grupo?
03. Na comunidade, família e sociedade, procuro somar forças ou dividir e marginalizar?

Oração 

Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia,
derramai sempre em nós a vossa graça, para que,
caminhando ao encontro das vossas promessas,
alcancemos os bens que nos reservais.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


sábado, 12 de maio de 2012

Amai-vos uns aos outros.

VI DT Pascal (Ano B): Atos 10,25- 26.34-35.44-48; Sl 98(97); 1Jo 4,7-10; João 15,9-17.


O evangelho de hoje, embora continuação da passagem proclamada domingo passado, apresenta uma mudança de linguagem e de ênfase. As metáforas utilizadas não vêm mais da natureza, como a imagem da videira e dos ramos, mas da convivência humana, com seus dinamismos de obedecer, amar, estabelecer amizades, alegrar-se, etc. O contraste, antes estabelecido entre estar unido/não estar unido, transfere-se para o nível social: a diferença de relação entre o senhor e o escravo e a relação entre amigos.

A insistência de Jesus é para que estreitemos ainda mais os laços de comunhão com ele. Seguir Jesus é entrar em sua intimidade, é ser de sua casa, é saber o que ele faz. Ele provou a doçura da comunhão com o Pai e se propõe a viver esse nível de relação com seus discípulos. A boa nova que nos vem desta palavra é o próprio Senhor ressuscitado que nos revela: o Pai tão próximo de nossa vida a ponto de se fazer nosso amigo.

Nesta celebração, adoremos o Senhor na alegria de participar do convívio de sua casa. Aceitemos o convite de viver uma entrega total e fiel a ele. Que ele derrame o seu Espírito em nossos corações, para que possamos viver isso de modo bem concreto em tudo o que fazemos e somos.

(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
1. Como você experimenta o amor de Deus?  Em quais pessoas você o experimenta?
2. Como você busca viver o mandamento do amor?

Oração
Deus da vida,
dá-nos a graça de vivermos profundamente
estes dias de alegria em que festejamos
a ressurreição de Cristo,
para que a nossa vida corresponda sempre mais
àquilo que na fé celebramos.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.

domingo, 6 de maio de 2012

Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto.




No Antigo Testamento, a videira é uma imagem clássica para designar o povo de Israel. São João, porém, usa-a com outro significado: a vinha é Jesus e o novo povo de Deus, os ramos. O centro da passagem evangélica é a relação videira/ramos. A vitalidade dos ramos origina-se de sua união com a videira e se traduz em dar frutos; separados, eles secam e são queimados.

Com esta comparação, o Ressuscitado nos convida a aprofundarmos nossa comunhão com ele, comparada à estreita ligação que há entre o pé de uva e seus galhos. A nova comunidade que Jesus inaugura é o resultado desta união entre Jesus e os seus discípulos e discípulas. A relação videira/ramos sugere uma união vital: os ramos não têm vida própria fora da videira, mas a videira não existe e não produz frutos sem os ramos!

É certamente uma boa notícia o fato de fazermos parte tão estreita da vida de Jesus. É o dom da sua ressurreição. Da nossa parte, o compromisso é produzir frutos. Cada pessoa é chamada a fazer valer a vida nova recebida como dom da páscoa no batismo. Sabemos que estamos unidos à videira se produzirmos frutos de justiça.

A eucaristia, celebrada com o fruto da videira, é certamente um momento significativo nesta aliança entre o Cristo e sua comunidade, onde o Cristo/videira se visibiliza na comunidade/ramos, e onde a comunidade se apresenta visivelmente centrada no Cristo. Na feliz expressão do Concílio Vaticano II, a liturgia é fonte e cume da vida cristã, lugar onde se busca a seiva para produção de frutos e onde se renova o dinamismo da vida.
(Extraído da Revista de Liturgia)


Para refletir e partilhar:
01. O que significa permanecer/habitar em Cristo? Como isto acontece?
02. Quais são os frutos que você e sua comunidade produzem que sinalizam a união com Jesus Cristo?


Oração

Deus de todos os povos,
que enviaste teu Filho para nos conduzir a ti
e fizeste de nós teus filhos e filhas,
guarda-nos com carinho em teu amor
para que, ressuscitados com Cristo,
tenhamos verdadeira liberdade
e a vida em plenitude.
Por Cristo, nosso Senhor. 
Amém.