sábado, 14 de abril de 2012

Nós vimos o Senhor

II Domingo do Tempo Pascal (Ano B): At 2,42-47; Sl 117(118); 1Pd 1, 3-9; Jo 20,19-31


A segunda parte do Evangelho do segundo domingo da Páscoa (Jo 20, 24-29) gira em torno da exigência de Tomé de ver Jesus para acreditar na sua ressurreição. Acreditar, no Evangelho de João, é uma palavra-chave que vai muito além de uma profissão intelectual e mecânica da fé. Acreditar em Jesus é estar ligado a ele numa união mística, num relacionamento de amor que produz frutos de liberdade e vida. No entardecer do dia da ressurreição, os discípulos se encontram com Jesus e depois testemunham a Tomé: “Nós vimos o Senhor”, em grego ἑωράκαμεν τὸν κύριον. Em ouras palavras, a comunidade reunida fez a experiência do Messias/Senhor Ressuscitado. No evangelho de João a experiência de ver está estreitamente ligada com acreditar


O episódio da cura do cego de nascença (9, 1-41) exemplifica esta relação entre ver e acreditar. Jesus se apresenta como luz do mundo (v. 5) e cura o cego de nascença, fazendo-o enxergar. Este sinal de Jesus simboliza o batismo, processo de iluminação pelo qual a pessoa passa das trevas para a luz de Cristo Ressuscitado, passando das trevas da incredulidade para a luz da verdade.


“Acolher a luz significa crer naquele que o Pai enviou, reconhecer que suas obras vem de Deus, entrar na vida nova mediante os sinais sacramentais e assim, pela fé, as obras e os ritos, participar da sua ressurreição, vitória da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal, da vida sobre a morte.” (Missal Dominical, Paulus, p. 168)


A bem-aventurança de Jesus, “Felizes os que acreditaram sem ter visto,” aponta para a visão da fé pela qual os que virão a acreditar em Jesus irão fazê-lo não porque se encontraram com Cristo Ressuscitado à maneira de Tomé, mas porque serão capazes de ver o Senhor Ressuscitado presente na comunidade cristã, nos divesos sinais sacramentais e nos sinais da ressurreição presentes no mundo e na história.


É significativo notar que, no dia do batismo, o (a) neo-batizado (a) recebe a luz do Cristo Ressuscitado quando lhe é entregue uma vela acesa na chama do Círio Pascal com a seguinte aclamação: “Eis a luz de Cristo!” Em seguida, quem preside a celebração batismal exorta o (a) neo-batizado (a): “Caminha como filha (o) da Luz!”

Para refletir e partilhar:


01. Comente: "Acreditar em Jesus é estar ligado a ele numa união mística, num relacionamento de amor que produz frutos de liberdade e vida." Você se sente ligado a Jesus Ressuscitado? Como?
02. Como você e sua comunidade têm vivido este início do Tempo Pascal?
03. Quais são os sinais de vida e ressurreição que você vê no mundo?




Ó Deus da Vida,
dai-nos olhos para ver
o vosso Filho ressuscitado
presente no meio de nós e
professar nEle nossa fé.
Isto vos pedimos,
pelo mesmo Cristo,
Nosso Senhor.
Amém.



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sexta-feira Santa - Páscoa da Cruz

... 'Tudo está realizado.' E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 
(Jo 19, 30)




Cantar a Paixão do Senhor

É, primeiro,
cantar o pranto de uma perda irreparável,
cantar a dor e o protesto do inocente injustiçado,
cantar a tristeza, sem fim, d'Aquele que
"veio para o que era seu e os seus não o receberam" (Jo 1,11)

É, nas suas chagas,
Prantear as dores de todos os oprimidos da terra,
Nos quais continua a Paixão, pois,
"Todas as vezes que fizerdes isto a um destes meus irmãos,
mais pequeninos,foi a mim mesmo que o fizestes" (Mt 25, 40)

É, depois,
Cantar a confiança do Servo Sofredor,
Que se entregou, sem reservas, nas mãos d'Aquele que o pode livrar
"do poder do inimigo e do opressor" (Sl 31,16)
e aguardar com ânimo forte e resistente a sua salvação.

É, nesta confiança sem limites, que o canto nos inspira,
Abandonar-nos em Cristo nas mãos do Pai, para a realização dos seus desígnos:
"Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23, 46)

É, finalmente,
Cantar a vitória do Amor e a glória d'Aquele que
"Se fez por nós obediente até a morte e morte de cruz.
Por isso Deus o exaltou…" (Fl 2, 8-9)
(Hinário Litúrgico - CNBB)


Senhor Jesus Cristo,
por vossa paixão e morte,
fazei-nos mais solidários, compassivos e comprometidos
com todas as sofredoras e sofredores da Terra.
Amém.





quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quinta-Feira Santa - Páscoa da Ceia.


Então, Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos... (Jo 13, 4-5)

João salienta o gesto de Jesus lavando os pés dos seus e deixando, como seu testamento em palavra e exemplo, fazer-se o mesmo entre os irmãos. Não ordena repetir um rito, mas fazer como ele, isto é, refazer em todo tempo e em toda comunidade, gestos de serviço mútuo - não padronizados, mas nascidos da criatividade daquele que ama -, através dos quais torne-se presente o amor supremo do Cristo pelos seus ("amou-os até o fim"). Todo gesto de amor se torna, portanto, "sacramento", isto é, visibilização, encarnação, linguagem simbólica, da única realidade: amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que crêem.

(Extraído do Missal Dominical - Missal da Assembléia Cristã, Paulus)




Senhor Jesus Cristo,
Servo e Senhor,
ajudai-nos a viver o mistério da Eucaristia,
no serviço generoso aos irmãos e irmãs,
sobretudo, aos mais pobres e excluídos.
Amém.