Então, Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos... (Jo 13, 4-5)
João salienta o gesto de Jesus lavando os pés dos seus e deixando, como seu testamento em palavra e exemplo, fazer-se o mesmo entre os irmãos. Não ordena repetir um rito, mas fazer como ele, isto é, refazer em todo tempo e em toda comunidade, gestos de serviço mútuo - não padronizados, mas nascidos da criatividade daquele que ama -, através dos quais torne-se presente o amor supremo do Cristo pelos seus ("amou-os até o fim"). Todo gesto de amor se torna, portanto, "sacramento", isto é, visibilização, encarnação, linguagem simbólica, da única realidade: amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que crêem.
(Extraído do Missal Dominical - Missal da Assembléia Cristã, Paulus)
Jesus entra em Jerusalém como o Messias, o rei justo e
pacífico, que dispensa os carros e as armas de guerra (cf. Zc 9,9-10). Assim,
ele prepara os discípulos para compreender seu messianismo caracterizado, não
pelo poder militar de Davi, mas pelo serviço, prefigurado no servo de Deus,
conforme Is 50 e 53. Condenado sob falsas alegações religiosas e políticas,
Jesus se entrega livremente pela salvação. Na ceia pascal, ele institui a
eucaristia como dom da própria vida para o mundo. As ovelhas dispersadas serão
reunidas pela força do Ressuscitado (14,27-28). É necessário vigiar e orar com
Jesus para realizar a vontade do Pai. Da entrega de Cristo nasce a fé universal
manifestada pelo centurião romano ao pé da cruz, quando proclama:
Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus (15,39). A cortina do santuário,
que fechava o Santo dos Santos (cf. Ex 26,33), rasga-se abrindo o caminho para
a comunhão com Deus, abolindo toda a barreira que dificultava.
A 1ª leitura mostra o Servo sofredor, confiante na
palavra de Deus, sem temor diante dos poderosos que oprimem. A fidelidade ao
projeto de Deus lhe dá a certeza que sua missão não fracassará. No salmo, o
sofrimento do justo e a firme esperança em Deus recordam a paixão de Jesus. A
2ª leitura ressalta, através de um hino, a fé no Cristo Salvador, que se
aniquila até a condição humilhante na cruz. Por isso, ele foi exaltado e
constituído Senhor de todos para a glória do Pai.
A liturgia nos introduz no mistério do aniquilamento e
glorificação de Cristo. Como Simão de Cirene, somos impelidos a carregar a cruz
com Jesus até a doação plena da vida por amor. Mesmo no meio de dificuldades e
sofrimentos, o Servo nos ensina a manter a esperança.
(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
01. Em que sentido Jesus é de fato o Messias?
02. O que significa confessar Jesus como Messias hoje?
03. Com você, sua família e comunidade estão vivendo esta semana santa?
Oração
Ó Deus, com ramos de oliveira,
crianças e pobres aclamaram Jesus ao entrar na cidade santa.
Abençoa nossa comunidade,
com ramos nas mãos louvando o teu nome.
Que no meio deste mundo ameaçado
pela violência este sinal da vitória pascal do Cristo,
O evangelho apresenta um resumo da pregação inaugural de
Jesus na Galileia. Após ser investido da força do Espírito para realizar a obra
messiânica, no batismo, Jesus enfrenta o embate com as propostas de satanás,
inimigo do plano de Deus. Quarenta dias tem sentido simbólico, lembra a
experiência do povo de Israel no deserto (cf. Dt 8,2-5) e abrange toda a vida
de Jesus. As propostas diabólicas têm a finalidade de desviar Jesus da
fidelidade à vontade do Pai, fazendo-o abandonar a missão de ser o Messias sofredor.
Com a oração e a confiança no Pai, Jesus supera as provações e assume o seu
ministério a favor das pessoas excluídas. Sua vida será uma luta contínua para
vencer as estruturas do mal até a vitória na cruz pela ressurreição.
Deus, mediante a salvação realizada com Noé e sua
família, renova a criação e sela a aliança com todo o ser humano e com o
cosmos, cujo centro é a vida (1ª leitura). O salmista reza a Deus para aprender
a ser obediente à sua vontade e ser conduzido no caminho da salvação. Na 2ª leitura,
Jesus oferece a vida nova da graça através de sua morte e ressurreição, da qual
participamos pelo batismo. Professando a fé em Cristo que sofreu a morte na sua
existência humana, ressuscitou e foi exaltado à direita de Deus, começamos a
fazer parte de uma nova humanidade.
Neste tempo quaresmal de preparação para a Páscoa, nos
unimos a Cristo para permanecermos na fidelidade à vontade do Pai. A oração e a
força de sua palavra nos fortalecem para vencermos as propostas opostas ao
plano de Deus e sermos construtores de um mundo novo.
A comunidade reunida, conduzida pelo Espírito,
sustentada pela Palavra de vida e salvação, renova a aliança com Deus, na
partilha do corpo e sangue do Filho amado, vencedor de todo mal e de todo
pecado do mundo. Continuando o caminho quaresmal, iniciado na quarta-feira de
cinzas, nos preparamos para a páscoa, intensificando a prática da oração, do
jejum e da esmola (solidariedade).
(Extraído da Revista de Liturgia)
Para refletir e partilhar:
01. Qual é o seu sonho de uma nova humanidade?
02. Quais são os males que neste tempo da Quaresma você, sua comunidade e a sociedade são chamados a vencer para realizar este este sonho?